FARMÁCIA POPULAR É FECHADA EM AVARÉ

10/07/2017

Avaré não conta mais com uma unidade da Farmácia Popular. Desde o dia 26 de junho, a população está tendo que procurar farmácias públicas da cidade para tentar encontrar algum tipo de medicamento.

 

Os servidores que trabalhavam no local estão sendo remanejados para outros setores da Prefeitura. Além da unidade de Avaré, outras foram fechadas em todo o país por determinação do Ministério da Saúde. “O fechamento da Farmácia Popular é um absurdo. Mesmo o governo falando que as pessoas podem procurar as farmácias particulares conveniadas, a população sai perdendo, pois na Farmácia Popular eles podiam adquirir 112 medicamentos a baixo custo. Nas farmácias conveniadas elas vão encontrar cerca de 25 itens apenas”, destacou uma servidores que preferiu não ser identificada.

 

Ainda segundo ela, o problema maior é que grande parte das farmácias da Prefeitura não conta com a totalidade dos medicamentos que eram fornecidos na Farmácia Popular.

 

A justificativa do governo Michel Temer é que poderá destinar o valor “economizado” com a administração das unidades próprias – cerca de R$ 100 milhões por ano – aos estados e municípios para a aquisição de medicamentos, sem prejuízos para a população, na medida em que também seria mantida a variante do programa “Aqui Tem Farmácia Popular”, que oferece medicamentos gratuitamente ou com descontos em redes de farmácias privadas conveniadas.

 

A decisão pelo fechamento é alvo de críticas de órgãos e entidades de saúde. Ainda em maio, o Conselho Nacional de Saúde (CNS) recomendou ao Ministério que interrompesse “qualquer processo de desestruturação do Programa Farmácia Popular, em especial da modalidade rede própria”.

 

O CNS apontou que desativação das unidades próprias visa reduzir a participação do sistema público de saúde de modo a privilegiar os interesses do setor privado.

 

A decisão estaria afetando “duramente” populações em situação de vulnerabilidade social e aquelas que vivem em áreas afastadas das periferias das grandes cidades, que não contam com unidades privadas.
Para Hugo Fanton, integrante da União dos Movimentos Populares de Saúde (UMPS), a medida é mais um retrocesso do governo Temer na área da saúde e vai restringir o acesso da população de baixa renda a assistência farmacêutica na rede pública. “A tendência é piorar ainda mais o acesso aos medicamentos”, afirmou.

 

O PROGRAMA – Lançado em 2004, durante o primeiro governo Lula, o programa garantia a distribuição gratuita ou com até 90% de desconto de 112 medicamentos de uso contínuo para doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e anemia.

 

Até 2014, quando o programa completou 10 anos, mais de 38 milhões de brasileiros haviam sido beneficiados, segundo dados do próprio Ministério.



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