O PERVERSO HÁBITO DE CRITICAR POR CRITICAR

02/10/2018

O ato de criticar está entre os defeitos comportamentais que mais tornam a convivência de baixa qualidade. Quando a crítica é devida e, principalmente, vinda de quem domina o assunto e fundamentada, é muito útil. O pior é quem critica por vício, mesmo sem conhecimento daquilo que falam.

Geralmente essas pessoas só enxergam o problema no outro, nunca em si. São ausentes de autocrítica, o que as impedem de perceber como este é um hábito desagradável. Algumas, ficam tão alheias à realidade, que acreditam prestar um favor com seu julgamento.

Um ambiente muito propício para encontrar um crítico “reclamão” é na Câmara de Vereadores de Avaré. Apresentar críticas sem um mínimo de embasamento é querer jogar a população contra uma administração, prejudicando assim o desenvolvimento da cidade.

Foi justamente o que foi visto na sessão legislativa que ocorreu no dia 27 de setembro, onde a vereadora Adalgisa Ward apresentou um vídeo que mostra uma água escorrendo até a Represa de Jurumirim.

Porém, a denúncia não havia sido encaminhada para a Secretaria Municipal de Meio Ambiente ou, até mesmo, para a Cetesb antes de ser divulgada. Ou seja, o fato foi criticado mesmo a vereadora não saber se o líquido era poluído, ou não.

Além de jogar a população contra a administração, atitudes como essa podem prejudicar colônias de férias que estão instaladas no município. Antes de levar esse fato ao conhecimento de todos, a parlamentar deveria ter certeza que a represa estava sendo poluída, o que não está comprovado até o momento.

Críticas e denúncias embasadas são construtivas e contribuem com o município, mas quando elas são fundamentadas. Fiscalizar é uma função do vereador, porém o parlamentar tem a obrigação de contribuir com o desenvolvimento da cidade, indo atrás de emendas de deputados, saindo da zona de conforto e buscando recursos para o município.

Não fazer isso por diferenças políticas não contribuí, apenas acaba levando a cidade para um buraco ainda mais profundo.

É importante ressaltar que crítica e apoio não coexistem. Criticar é o oposto de apoiar. Quem está disposto a apoiar não desqualifica a ação do outro e muito menos desrespeita seus limites. Apoiar significa acolher, contribuir, sugerir alternativas. Já criticar implica em encontrar defeitos, censurar e desmerecer. As vezes, algumas pessoas são tão incisivas em suas críticas que deixam a impressão de que torcem contra só para terem razão e repetir a clássica frase: “eu te avisei”.

O crítico se coloca acima de todos, como se fosse um oráculo, uma espécie de divindade que tudo sabe, tudo pode, tudo vê. Ao apontar o dedo para o mau feito alheio ele também encontra uma ótima forma de desviar a atenção das suas próprias imperfeições. Posto que o crítico, no alto da sua vaidade, utiliza-se desse expediente para, de acordo com seu ego, notoriamente doentio, tentar nivelar tudo e todos por baixo. É como se ele declarasse: “todos são incompetentes, menos eu”.

Criticar é diferente de opinar, de ter uma visão diferente de determinada situação. Criticar por criticar sem fundamentos é raso.



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