JOGADOR DO FLAMENGO MORTO EM INCÊNDIO SERÁ SEPULTADO NESTA SEGUNDA EM ITARARÉ

11/02/2019

O corpo do adolescente Gedson Beltrão dos Santos Corgosinho, de 14 anos, chegou a Itararé (SP) na noite deste domingo (10). Gedinho, como era conhecido, foi um dos 10 adolescentes que morreram no incêndio no Centro de Treinamento do Flamengo, no Rio de Janeiro, na madrugada de sexta-feira (8).

Quando o corpo chegou ao ginásio municipal Lauro Loureiro de Melo, às 23h30, o local já estava lotado. O caixão com o atleta entrou sob uma salva de palmas do público e um clima geral de consternação.

A mãe de Gedinho, Teresa Cristina Beltrão, passou mal e chegou a desmaiar. Ela precisou ser amparada por amigos e familiares.

O enterro está previsto para as 10h desta segunda-feira (11), no Cemitério Municipal de Itararé.

De acordo com a família, o corpo de Gedson foi levado de avião do Rio de Janeiro até Curitiba na tarde deste domingo. Depois, seguiu de carro até Itararé, onde ele morava com a família.

Gedinho estava há apenas uma semana no Rio de Janeiro, ainda se adaptando à rotina no alojamento do Ninho do Urubu. O incêndio que destruiu o local deixou também três adolescentes feridos. Neste domingo, os corpos das duas últimas vítimas foram reconhecidos no IML do Rio de Janeiro.

De acordo com o chefe de gabinete da Prefeitura de Itararé, será decretado luto oficial de três dias na cidade com bandeiras a meio mastro.

MESSI – De acordo com o ex-técnico de Gedson, Murilo Pontes, antes do adolescente ir para o Flamengo, Gedson jogou no Trieste Futebol Clube, de Curitiba, no Athletico-PR e começou no projeto Associação Atlética Banco do Brasil, em Itararé.

Pontes comenta que o garoto jogava com inteligência. “Ele era pequeno, rápido, difícil de tirar a bola do pé. Lembrava muito mesmo o Messi. Então surgiu essa brincadeira, lembrava muito o estilo de jogo dele com o do Messi. Inteligente demais”, relembra com orgulho do ex-jogador do time dele.

“Ele começou com a gente e sempre foi um garoto de destaque. Muito dedicado e bem competitivo. Daqui, já foi pra Curitiba e ia se destacando. Era um garoto promissor e todos nós ficamos muito triste”, afirma Pontes.

O primo do jogador Glauber Beltrão diz que Gedinho era muito dedicado ao futebol. “Ele era orgulho para a família, era demais. Tudo que ele planejava para fazer dava certo, tudo mesmo. Era bom na escola, bom aluno, bom filho, muito humilde. Era um orgulho pra mim”.

O amigo Kevin Prado, que chegou a jogar bola com Gedson, afirma que a cidade está comovida com a perda. “Não acreditei na hora. Não caiu a ficha ainda.”

A professora do 5º ano de Gedinho, Tatiane Domingues de Moura, ressalta a inteligência do jovem, não só nos estudos, mas também com a bola no pé.

“Gostava de ir para a escola, gostava de tirar notas boas. Sempre que ia fazer uma avaliação, se tirava uma nota menor que 10 ele questionava. O professor de educação física dizia que ele era muito inteligente. Nas jogadas mesmo, ele usava a inteligência. Não era jogar por jogar”, completa.

De acordo com profissionais da cidade, a ideia do garoto era voltar aos campos ainda mais preparado para seguir em busca do sonho de ser um jogador profissional. Ainda não há informações sobre velório e enterro.

TRAGÉDIA – Gedson Santos, o Gedinho, de 14 anos, foi o quinto identificado no IML, que deu início aos procedimentos de liberação do corpo para familiares.

Todos os 10 jovens jogadores que morreram foram identificados. Os dois últimos, Samuel Thomas e Jorge Eduardo, tiveram a identificação confirmada na tarde deste domingo (10). O trabalho só foi possível por meio de características físicas, a chamada antropologia forense.

O incêndio atingiu o alojamento no Ninho do Urubu, na Zona Oeste do Rio, na madrugada de sexta-feira (8). As chamas atingiram as instalações onde dormiam jogadores entre 14 e 17 anos que não residiam no Rio. No momento em que as chamas começaram, os garotos dormiam.

Um inquérito foi instaurado na 42ª DP (Recreio dos Bandeirantes) para apurar as causas do desastre. O governador Wilson Witzel decretou luto oficial de três dias por causa do incidente.

RECENTE – O adolescente de 14 anos postou no Facebook horas antes da tragédia que havia se mudado para o Rio de Janeiro.

Gedson era atacante e tinha ido para o Rio de Janeiro há uma semana, segundo o tio Agenor Monteiro. Ainda de acordo com o parente, ele estava no CT há dois dias.

A postagem sobre a mudança de cidade foi feita por Gedson às 20h de quinta-feira (7). O adolescente recebeu mensagens de parabéns e desejo de boa sorte para o novo clube. “Capricha ai Gedinho”, escreveu um internauta.

Após o fim do contrato com o Athletico Paranaense em dezembro de 2018, onde Gedson jogava, ele foi escolhido para ir para o Flamengo depois que o clube fez parceria com o Trieste, time de base da equipe paranaense.

“Ele estava no Athletico e depois do empresário levar para o Rio, ele foi escolhido. Ia começar a jogar e estava muito feliz, porque era a realização de um sonho. Na noite, antes do incêndio, falou com meu irmão e disse que ia conhecer o Maracanã e começar os treinos”, afirmou o tio ao G1. A notícia do incêndio chegou para a família no início da manhã de sexta-feira (8). Segundo Agenor, a família foi para São Paulo e, na sequência, para o Rio de Janeiro.

Após a tragédia, muitas mensagens de luto foram publicadas na página do jogador. “Eram tão jovens. Com tantos sonhos, tantas esperanças. Que Deus conforte as famílias”, escreveu um internauta.

O prefeito de Itararé Heliton do Vale publicou em suas redes sociais lamentando a morte de Gedson. “Ninguém deveria nos deixar assim, tão cedo. Com tantos sonhos. Com tantos planos. Mas Deus sabe a hora de cada partida. Sabe a hora de apitar o fim do jogo. Mesmo que, para nós, não faça sentido. Minha solidariedade aos pais, amigos e familiares do grande Gedinho que, tão novo, já brilhava em campo e, agora, brilha lá no céu. Contem com minhas orações.”

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