EX-VEREADOR É CONDENADO PELO CRIME DE DIFAMAÇÃO EM AVARÉ

12/07/2018

O ex-vereador e atual radialista, Rodivaldo Ripoli, foi condenado pela Justiça de Avaré a pena de 4 meses de prisão em regime aberto, porém sua pena foi substituída por restritiva de direitos, consistente na prestação de serviços à comunidade à razão de uma hora de serviço por dia de condenação, em local a ser oportunamente designado. Cabe recurso.

A ação foi impetrada pelo médico Dr. Benami Francis Dicler que acusou Ripoli de ter proferido calúnias no programa de rádio a qual apresenta diariamente. Segundo Benami, o radialista teria imputado negligência médica contra ele.

Segundo o Juiz Criminal, Jair Antonio Pena Júnior, “a materialidade delitiva foi comprovada pela mídia apresentada pelo querelante (por Benami) donde se verifica que o Réu (Ripoli) disse em seu programa de rádio”, em outubro de 2017:

(…) e minha mulher, eu mesmo a levei até o pronto socorro, minha mulher ficou deitada numa maca, passando mal, estava verde, e o que ocorreu? Ficou lá algumas horas, e o tal do Benami naquela oportunidade, sabia que era esposa do Ripoli, e disse que não iria atende-la, como não atendeu. Não atendeu. Tive que retirar minha mulher do Pronto-Socorro, levar pra casa, entrar em contato com a Santa Casa de Avaré e fazer todo atendimento particular porque minha mulher estava morrendo, estava com problema de pâncreas, estava com pancreatite, com problema de vesícula, tanto é que minha mulher saiu do pronto socorro foi imediatamente atendida na Santa Casa, quero até elogiar muito e realmente dizer que isso foi verdade, o doutor Aldo foi quem salvou a vida da minha mulher, doutor Aldo Luchesi que imediatamente quando viu a situação da minha mulher imediatamente a internou na UTI e ela acabou tendo a vesícula retirada, isso foi em 2004. Aí fiz um boletim de ocorrência contra o médico então mas nada aconteceu, se eu não corro teria perdido fatalmente a minha mulher (…)

Em sua defesa, Ripoli confirmou os fatos e disse que a sua mulher estava passando mal, com muitas dores, tinha a coloração da pele diferente, por isso a levou até o Pronto Socorro onde recebeu a informação de que o médico especialista não se encontrava. Colocaram a sua mulher numa maca no corredor e ela gritava de dor enquanto tomava soro.

Questionado sobre o porquê de esperar vinte dias para procurar um médico, Ripoli respondeu que estava em campanha eleitoral e não tinha dinheiro. Afirmou que Benami era candidato também e percebeu má vontade no atendimento. Explicou que não teve a intenção de denegrir a imagem do médico. Apenas queria criticar o plantão realizado à distância.

Ripoli chegou a dizer que Benami não iria atender a sua esposa. Porém, não soube dizer o nome da pessoa que passou esta informação e não soube dizer se o caso da sua mulher demandava intervenção cirúrgica imediata.

DIFAMAÇÃO – Para o Juiz Jair Pena Júnior, teria ficado comprovado a difamação. “Assim, de tudo o quanto apurado, há de se concluir que o acusado, agindo com intenção de ofender, imputou a pecha de negligente ao querelante dizendo que ele recusou-se a atender sua esposa. Contudo, não são esses os fatos que emergem dos autos, eis que a esposa do Réu foi regularmente atendida no Pronto Socorro Municipal e já estava sendo medicada enquanto aguardava a chegada do especialista de retaguarda que já havia sido acionado, conforme a praxe médica. É certo que o procedimento adotado não fugiu à normalidade nem veio a causar qualquer prejuízo à esposa do querelante de modo que afirmar que o querelante foi negligente no atendimento e por isso sua esposa quase morreu configura-se difamação”.

O magistrado chegou a destacar que Ripoli teria colocado a esposa em risco “ao interromper, de forma imprudente e irresponsável o procedimento médico que estava sendo realizado. No que toca ao argumento de que estava sob a influência de forte emoção quando proferiu o discurso difamador contra o querelante (Benami), em nada milita a favor do acusado, eis que, independentemente do estado emocional, a ninguém é dado ofender a honra de outrem, ainda mais utilizando-se de veículo midiático e forte apelo emocional para atrair o público desavisado”.

Em sua decisão, o Juiz destacou que: “verifico a causa de aumento de pena prevista no artigo 141, III do CP (Código Penal) já que o acusado perpetrou a conduta criminosa por meio de rádio facilitando a divulgação, assim a pena deve ser aumentada em um terço para alcançar 04 (quatro) meses de detenção”.

Porém sua pena foi substituída por restritiva de direitos, consistente na prestação de serviços à comunidade à razão de uma hora de serviço por dia de condenação, em local a ser oportunamente designado. Cabe recurso.

OUTRO LADO – O site Avaré Urgente enviou uma mensagem SMS para o celular do ex-vereador e radialista, Rodivaldo Ripoli, mas não houve resposta. O site se coloca a disposição para que Ripoli se manifeste sobre a decisão, sempre respeitando o direito do outro lado se manifestar.



Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Avaré Urgente. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Avaré Urgente poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.