“ESSE PREFEITO SÓ SABE TRABALHAR COM FESTA”, DESABAFA CAMINHONEIRO EM AUDIÊNCIA PÚBLICA

15/04/2019

Em audiência pública realizada na quarta-feira, dia 10 de abril, na Câmara Municipal, os vereadores, em conjunto com cerca de 30 profissionais, sendo caminhoneiros, empresários e munícipes, decidiram por revogar a lei que dispõe sobre o transito de caminhões na área urbana de Avaré.

A decisão ocorreu depois de muita revolta de vários motoristas e bate-boca envolvendo um caminhoneiro com o secretário de Agricultura do Município, Ronaldo Vilas Boas. O encontro ainda contou com a presença dos vereadores: Francisco Barreto, Alessandro Rios, Jairinho do Paineiras, Flávio Zandoná, Adalgisa Ward, Cabo Sergio, Toninho da Lorsa, Ernesto Albuquerque e Marialva Biazon, além do Capitão da Polícia Militar Rodrigo e do Subtenente Wilson.

Durante a audiência foi questionada a ausência do Secretário de Planejamento e Transportes, Alexandre Nigro, pois o assunto era de interesse de sua pasta. Segundo Vilas Boas, Nigro não teria comparecido por ter assumido outros compromissos naquela data.

Foi questionado ainda do porque que o asfalto da Vila Esperança não foi feito na medida para que desse passagem para os caminhões. “Essa lei beneficiou algumas pessoas e nós é que estamos pagando. A lei é para todos. Nós não temos culpa se foi feito uma casquinha (asfalto), sendo que a fiscalização é de vocês e não da gente”, desabafou Reginaldo da Silveira.

“Ele destacou que nenhum caminhoneiros têm o interesse de prejudicar o transito da cidade. “Ninguém quer passar no meio da cidade. Nós cortamos volta para não prejudicar ninguém e para ter facilidade em chegar até a rodovia. Se eu for fazer um emplacamento ou uma vistoria no meu veículo não tem como, pois não posso transitar na cidade. Está tudo errado. A multa não resolve”.

Reginaldo chegou a dizer que o secretário Alexandre Nigro não estaria sabendo lidar com a situação. “Vocês antes de serem nomeados (secretários) tem que saber fazer o serviço direito. Vocês não podem ser nomeados a um cargo e não fazer o serviço do jeito que tem que ser feito. O secretário de Transportes não sabe o que está falando. Primeiro tem que

se resolver o problema e não gerar outros. Vocês não podem prejudicar a gente. Trabalhem direito”.

O autônomo Jonas chegou a dizer que o prefeito não estaria interessado em resolver o problema. “Esse prefeito só sabe trabalhar com festa, boiódromo, vamos trabalhar. Não queremos prefeito para ficar de enfeite”.

O secretário da Agricultura chegou a admitir que a lei tem falhas. “Percebemos que tem algumas falhas nessa lei. Precisa de uma norma que não prejudique o transito da cidade em determinados horários, só que vejo que faltam algumas clausulas nessa lei que precisa complementar. A gente pretende melhorar a sinalização da cidade”.

Munícipes presentes na audiência também falaram dos prejuízos de caminhões em algumas vias da cidade, que estariam danificando o asfalto e que era para a Prefeitura resolver o problema para que ninguém saísse prejudicado.

Revoltado com a situação, o empresário e motorista Flávio chegou a sugerir que todos os caminhoneiros de Avaré transferissem seus veículos para outros municípios.

“Acho que nós temos que transferir todos nossos caminhões para a cidade outras cidades onde estou sendo bem acolhido. Daí a gente paga o IPVA lá. Aqui é cidade de hotel. Mora aqui e trabalha para fora”.

ALTERNATIVA – Uma alternativa foi apresentada pelo secretário, porém foi rechaçada pelos profissionais, já que os caminhões teriam que passar por uma estrada sem asfalto, sem condições para o transito de caminhões.

Reginaldo chegou a dizer que a alternativa seria uma brincadeira. “Você não é o secretário, mas vocês estão de brincadeira. Você (Ronaldo Vilas Boas) não entende nada de caminhão. Essa via é intransitável e pode gerar até morte se o caminhão voltar”.

Em seguida foram feitas algumas propostas como a liberação da Avenida João Victor de Maria, da via que liga a Nova Água Branca a Vila Esperança, a Avenida Paulo Novaes e as vias de acesso ao Presidencial.

O vereador Toninho da Lorsa chegou a dizer que a medida amenizaria o problema, mas não resolveria. Ele voltou a destacar que o asfalto que liga a Vila Esperança a Nova Água Branca seria uma “casquinha de ovo” e que a largura da pista foi feita fora dos padrões.

“A gente está falando com uma categoria que tem que ser muito respeitada que são os caminhoneiros. Esse problema está acontecendo por fazerem aquele asfalto casquinha de ovo, vergonhoso, uma rua estreita da qual eu

estive lá, não me ouviram e ficou perigoso. É um lugar importante. Minha sugestão é que o prefeito procure os representantes da Polícia Militar e suspenda a multa até segunda ordem até resolver esse problema”.

REVOGAÇÃO – A sugestão de revogação da lei aprovada em 2017 foi da vereadora Marialva Biazon. “Minha sugestão é que revoguemos essa lei na próxima sessão. A lei é de iniciativa comum, então minha sugestão é revogar essa lei e que o prefeito envie outra lei, que seja discutida com as pessoas interessadas, não uma lei sem ouvir as pessoas interessadas”.

A sugestão acabou sendo acatada. Na sessão de segunda-feira, dia 22, ficou acordado que seria apresentado o projeto de revogação da lei e que os sete vereadores oposicionistas votariam a favor.

Foi solicitado que o prefeito edite uma nova lei, desta vez ouvindo os motoristas, empresários e munícipes, para que todos não sejam prejudicados.

Fonte: A Voz do Vale

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