“É UM ALÍVIO”, DIZ MÃE DE DOMINIQUE APÓS CONDENAÇÃO DE ASSASSINO

02/07/2018

O rapaz acusado de matar a jovem de 18 anos, Dominique Oliveira Machado, em março de 2013, foi julgado culpado após júri popular realizado na sexta-feira, dia 29, no Fórum de Avaré. Com a decisão, o juiz determinou a pena de 16 anos de reclusão em regime fechado. Ele foi condenado por homicídio qualificado por motivo fútil, ocultação de cadáver e coação no curso de processo.

Para mãe de Dominique, Elaine Cristina de Oliveira, a justiça foi feita e agora após a condenação pode a família vai conseguir seguir adiante.

“É um alivio. Minha filha não volta mais, mas o fato do homem que causou isso pagar, é um alivio. O que ele fez acabou com a família, deixamos de viver e agora, sabendo que o culpado vai pagar, que houve justiça, isso dá um alivio para continuarmos a vida”, conta emocionada.

Diego do Nascimento, de 24 anos, já estava preso desde setembro de 2015 apontado como principal suspeito do crime. Segundo a polícia, Dominique morreu com pancadas na cabeça depois de ir a uma festa de rodeio junto com o Diego e o amigo dele em Arandu. Ela morava com a família em Avaré, cidade vizinha.

Mensagens de texto, trocadas pela vítima e o acusado antes do assassinato foram usadas como provas no julgamento. No último texto, Diego escreveu que iria atrás da jovem, depois disto ele não enviou mais nenhuma.

Questionado pelo promotor Marcos Viera Godoy sobre o motivo de não ter enviado mais mensagens para Dominique, Diego ficou calado.

Duas testemunhas também foram ouvidas e disseram que Dominique e Diego foram juntos para o rodeiro, mas no fim da festa ele estava sozinho e com um arranhão no braço.

Outra questão que chamou a atenção do promotor é que Diego ficou sem se comunicar com ninguém durante uma hora, momento em que estaria com Dominique. Segundo a acusação, foi nesse período que ele cometeu o crime.

“Os jurados fizeram justiça, escutaram tanto o Ministério Público quanto a defesa e decidiram de acordo com o Ministério Público pediu, que foi a condenação tanto pelo crime de homicídio com as duas qualificadoras, como pela ocultação do cadáver e coação no curso do processo. As mensagens foram um dos fatores, mas temos duas testemunhas que afirmam que ele confessou a elas o homicídio e diversos elementos de provas que o colocam no local onde o crime acontece e que fazem dele a única pessoa que teria matado a jovem”, explica.

De acordo com o advogado de defesa Marcos Barbosa, as provas não são suficientes para condenação de seu cliente.

“A defesa respeita a decisão dos jurados, porém entendemos que a decisão foi contraria as provas dos laudos, já que elas não são suficientes para a condenação de Diego do Nascimento. Já entramos com um recurso onde o Tribunal de Justiça vai analisar a decisão e pode aceitar ou anular esse julgamento, se anulado, teremos então um novo julgamento com novos jurados para debater o assunto”, afirma.

ENTENDA – Dominique sumiu quando voltava da festa em comemoração ao aniversário de Arandu, no dia 16 de março de 2013.

Segundo a polícia, a jovem estava acompanhada de dois amigos e foi até a festa de carona no carro de um deles. Contudo, ela teria decidido ir embora sozinha e a pé depois que eles teriam se negado ir embora.

Os amigos da vítima ainda relataram aos policiais que conversaram com ela por telefone quando ela caminhava pela Avenida Diamantino Monteiro Gama, em Avaré. Após a ligação dos amigos, a vítima não foi mais vista.

Oito dias após, ela foi encontrada morta em um terreno baldio ao lado da avenida por um morador que percebeu o mau cheiro e a presença de urubus no terreno. Segundo a Polícia Militar, Dominique estava com o maxilar deslocado e com sinais de estupro.

Prisão
Dois anos depois do crime, o suspeito foi preso pela polícia. Na época, o delegado Rubens César Garcia Jorge afirmou que o crime foi motivado por um relacionamento amoroso que ele tinha com a menina.

“Ela também tinha um namorado e os dois tinham um relacionamento extraconjugal. Não temos dúvidas de que ele seja o autor do crime”, afirmou na época.

Rubens César Garcia Jorge descreveu também, na época para a reportagem do G1, que a vítima, o amigo e o suspeito do homicídio foram à festa juntos em um carro. Em certo momento, o rapaz saiu do recinto junto com a jovem e voltou sem ela.

“Depois que voltou o rapaz tinha marcas de sangue nas mãos e arranhados nas costas, segundo o amigo dele. Inicialmente esse amigo não sabia o que tinha acontecido, só ficou sabendo dias depois. Ainda na festa os dois encontraram com um conhecido, que pediu carona a Avaré. Os três voltaram da festa e esse conhecido suspeitou do crime depois. Como ele contou o que sabia à polícia não ficou preso.”

Segundo o delegado responsável pelo caso, os dois rapazes que levaram a jovem à festa eram os principais suspeitos desde o início das investigações.

“Suspeitávamos desde que ouvimos a história de que a jovem decidiu ir sozinha e a pé para casa. Houve muitas dificuldades nas investigações porque não houve testemunhas e não houve provas materiais como imagens de câmeras de segurança”.



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