AVAREENSE VOLTA A SER VÍTIMA DE RACISMO, ABANDONA O CAMPO E GANHA APOIO DO PRESIDENTE DA BOLÍVIA

19/03/2019

O atacante avareense Serginho, do Jorge Wilstermann, abandonou o campo antes do apito final após ser alvo dos insultos racistas proferidos por parte da torcida do Blooming, equipe da casa, no último domingo. Após o protesto, o presidente da Bolívia, Evo Morales, manifestou sua solidariedade ao jogador de 34 anos, que fez carreira pelo interior de São Paulo.

“Nossa solidariedade com Serginho, jogador do Jorge Wilstermann que ontem deixou o gramado, em forma de protesto, após ser vítima de insultos racistas vindo de maus torcedores. O futebol é um esporte que une os povos, não devemos permitir que seja manchado com esses atos discriminatórios” – escreveu Morales em sua conta no Twitter.

Sérgio Henrique Francisco, de 34 anos, que joga desde 2017 no Jorge Wilstermann, deixou o gramado do estádio Ramón Aguilera aos 40 minutos do segundo tempo. Ele estava para cobrar escanteio e, ao ouvir os insultos das arquibancadas, cruzou o gramado inteiro e deixou o campo de jogo.

Antes de deixar o campo, o brasileiro já tinha reclamado com a arbitragem e, por isso, o uruguaio Latorre, do Blooming, pediu a sua torcida para parar. Na sequência, Serginho arranca do meio de campo e quase faz um golaço. Ao se direcionar para cobrar o escanteio, ele voltou a ser alvo de racismo e deixou o gramado.

“Ele não voltou mais para o gramado. Ficou muito mal. Os filhos e a esposa estavam em casa com minha esposa vendo o jogo e choraram muito. E aqui na Bolívia já não é a primeira vez” – disse o zagueiro Alex Silva, companheiro de Serginho no Jorge Wilstermann.

O ex-zagueiro de Flamengo e São Paulo estava no estádio e também foi alvo dos insultos da torcida adversária. Poupado, ele estava no banco de reservas e acabou expulso por conta de uma confusão entre os suplentes das duas equipes. Ao sair do campo, ouviu os gritos racistas.

“Deu uma confusão entre os bancos de reserva das duas equipes e fui expulso. Ao sair do estádio, todo mundo começou a gritar “huuu”, “huuu”, “huuu”, imitando macaco. E aí depois toda vez que Serginho pegava na bola faziam o mesmo”, completou Alex Silva.

O atacante brasileiro sofreu outros atos de racismo em diferentes estádios bolivianos, mas essa foi a primeira vez que abandonou o campo. No ano passado, também em um estádio de Santa Cruz, Serginho se negou a voltar após o intervalo devido a insultos racistas vindos da arquibancada. A Bolívia, que tem uma população em sua maioria indígena, aprovou em 2010 uma Lei contra o Racismo e toda forma de discriminação.

Com a derrota por 2 a 0 para o Blooming fora de casa, o time de Serginho e Alex Silva estacionou na quinta colocação, com 17 pontos – o Nacional Potosí lidera com 28. O Jorge Wilstermann é do mesmo grupo de Boca JUniors Athletico-PR e Tolima no Grupo G da Libertadores.

Fonte: Globo Esporte

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