APÓS 3 DIAS, JUSTIÇA DETERMINA TRANSFERÊNCIA DE ADOLESCENTE QUE CAIU DE VIADUTO

16/11/2018
Familiares de um adolescente de 16 anos que ficou gravemente ferido após cair de uma altura de quase 10 metros de um viaduto em Avaré estão revoltados devido à demora que ocorreu na transferência dele para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da região.

O fato ocorreu no domingo, dia 11 de novembro, porém o adolescente V.E., foi transferido apenas na madrugada de quarta-feira, dia 14, ou seja, quase três dias após o acidente. Segundo os familiares, enquanto aguardava a transferência, o jovem ficou internado no Pronto Socorro Municipal com graves ferimentos na cabeça.

Informações dão conta que o cérebro do adolescente estava inchado e que ele estaria com febre de 40 graus devido a uma suposta infecção.

Segundo apurado pelo Jornal A Voz do Vale, devido à falta de vagas na UTI da Santa Casa, o médico responsável pelo caso teria feito uma solicitação de transferência para a Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (CROSS). Até a noite de terça-feira, dia 13, o órgão ainda não havia autorizado que o adolescente fosse levado até um hospital da região.

A transferência somente foi autorizada por força judicial, após uma liminar que acabou sendo deferida no Fórum de Avaré. O Juiz determinou que o governo do estado bem como a Prefeitura arrumasse uma vaga em uma UTI com urgência, sendo em um hospital público ou particular.

O fato revoltou os familiares já que o problema do adolescente era neurológico e a demora pode ter agravado a situação. Informações dão conta que V.E. foi transferido para o Hospital da UNESP em Botucatu e seu estado de saúde é grave.

NOTA OFICIAL DA SECRETARIA DE SAÚDE DE AVARÉ SOBRE O CASO

A Secretaria da Saúde de Avaré informa que realizou, dentro das normas em vigor, a transferência do jovem paciente que se envolveu em um incidente junto aos viadutos SP-255 que ficam sobre a Avenida Paulo Novaes. Logo após a ocorrência, o paciente deu entrada no Pronto Socorro Municipal onde foi prontamente atendido e estabilizado pela equipe médica do local.

Posteriormente, após exames de imagem, o jovem recebeu o diagnosticado de traumatismo craniano. Ato contínuo, a equipe solicitou ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp) uma avaliação mais ampla de outra lesão identificada inicialmente como trauma buco-maxilo-facial. No município, não há profissionais nem estrutura capaz de ampliar o diagnóstico deste tipo de situação, daí a solicitação. O traumatismo craniano já recebia todo o acompanhamento adequado no Pronto Socorro de Avaré.

Dada a extensão das lesões e o estado clínico do paciente, a Secretaria da Saúde de Avaré manteve contato direto com a Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (CROSS) solicitando a remoção do jovem para um centro de maior capacidade física e técnica. Na madrugada desta quarta-feira, 14, o paciente foi transferido para Unesp de Botucatu, após autorização dada pela CROSS. Ao mesmo tempo uma liminar da justiça foi emitida em sede de Mandado de Segurança onde a família do paciente solicitava a remoção para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Para pleno entendimento do assunto, é necessário informar que as vagas na UTI de hospitais públicos são gerenciadas pela Secretaria de Estado da Saúde, por meio da Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (CROSS) . É a CROSS que analisa o relatório enviado pelas unidades de todo o Estado e emite uma decisão sobre qual medida será adotada. Essa avaliação é feita por médicos especializados e o serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias do ano. De acordo com o nível de urgência, os pacientes são transferidos para a unidade de saúde que primeiro liberar vaga. Portanto, não tem a Secretaria da Saúde de Avaré, o poder de decidir quando um paciente dará entrada na unidade de terapia intensiva.

Ainda, é certo que a remoção foi feita pela equipe do Pronto Socorro de Avaré pois o paciente permanece sob seus cuidados até que a equipe do hospital de destino “receba” o paciente e tenha acesso aos dados apurados até aquele momento.

Por outro lado, a CROSS ao liberar a transferência para a Unesp o faz com a ciência da unidade que é informada antecipadamente como determinam os protocolos de procedimento do Ministério da Saúde.

Até o início da tarde desta quarta, a Secretaria da Saúde apurou que o paciente permanecia em sala de urgência na Unesp pois ainda não havia vaga na UTI do hospital.

Por último, as vagas em UTI só se alteram em duas situações: Alta Médica ou Óbito do paciente que ocupa o leito. O Hospital das Clínicas de Botucatu esta ciente, via central de vagas, que o jovem tem prioridade para ocupar um leito na UTI do local.



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